segunda-feira, 2 de maio de 2011

Transgenia em trigo encontra dificuldades

Constituição genética complexa e questões culturais e religiosas são barreiras para transgenia em cereais de inverno

A transgenia na agricultura é uma questão polêmica sob vários pontos de vista. Ela é bem sucedida e muito utilizada em culturas como milho e soja, aumentando os níveis de produtividade destes grãos. No entanto, há correntes da sociedade que são contra o uso de modificação genética nos alimentos por uma questão de segurança alimentar, uma vez que a alteração cria materiais novos que poderiam afetar a saúde humana, e também por fatores culturais como a religião, especialmente para o trigo que é considerado um alimento sagrado. Estes setores pedem pesquisas mais criteriosas sobre o impacto dos alimentos transgênicos.

Os cerais de inverno ainda não conseguiram vencer estas barreiras e a transgenia ficou em segundo plano para estas culturas. Muitas pesquisas são feitas no mundo todo e algumas tecnologias com trigo e cevada transgênicas já estariam até prontas para serem experimentadas, mas nenhuma delas tem autorização para ser implementada no campo. No Brasil, alguns estudos estão sendo feitos em universidades e instituições de pesquisa como a Embrapa Trigo, mas não há nada conclusivo ainda. O objetivo dos estudos é produzir alimentos com resistência a doenças e a ataques de insetos-pragas ou que sejam mais tolerantes a estresses hídricos ou de ordem climática. Outro poder dos transgênicos seria enriquecer os grãos com nutrientes importantes para a nutrição humana, fortalecendo a dieta básica necessária da população.

— A pergunta é porque ainda não existe transgenia em cerais de inverno? Discutimos vários fatores que estão dificultando este processo, entre eles a questão cultural. Pelo trigo ser um produto bíblico e sagrado, certamente é muito sensível à questão cultural e da religiosidade e existe sempre o medo de quem será o primeiro a utilizar o transgênico no sentido de uma possível rejeição. Essa questão é realmente sensível e precisa de uma análise bem profunda. A partir do momento que tivermos o trigo transgênico aprovado para outros países acho que não teremos problemas aqui no Brasil. A tendência é poder aumentar a produtividade, melhorar a estabilidade da produção e propiciar menor custo. Reduzindo custo e mais gente tendo acesso aos materiais não acredito que será um empecilho aqui, já que o Brasil é um grande consumidor e importador de trigo — analisa o doutor em melhoramento genético Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo.

Outro fator limitante para a transgenia em trigo seria a composição genética do cereal, que possui uma constituição genômica muito complexa, que dificulta um pouco o trabalho dos pesquisadores e aumenta os custos. Minella diz para o Brasil, os transgênicos seriam interessantes para conferir maior resistência da cevada à acidez e alumínio tóxico e para tornar a cultura do trigo mais resistente à seca. A fragilidade do trigo diante da seca é um dos principais fatores limitantes para a produção mundial do cereal. No caso da cevada, já existe uma tecnologia desenvolvida na Austrália com cereal transgênico resistente ao alumínio tóxico que está chamando atenção dos pesquisadores brasileiros.


Fonte: www.diadecampo.com.br

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